Virei e ele me chamou para perto dele com um gesto.
Quis sair correndo dele e quis ir ao seu encontro.
Fui ao seu encontro... *
Impossível seria, se não fosse ao seu encontro, viver do “e se”. E se não fosse? E se tudo aquilo que é, que se foi, que amou ou que sofreu nunca tivesse tido a chance de ter sido, simplesmente por não ter a coragem. A coragem de pagar pra ver, de se tornar suscetível ao fracasso e ao sofrimento.
Não tem fim aquilo que nunca começou. Pode também não ter sofrimento, angústia, tristeza, mas não se fortalece aquele que sempre se mantém no mesmo lugar. Feliz é aquele que é livre pra voar. E pra cair. E pra aprender com a queda.
Virei e ele me chamou para perto dele com um gesto.
Quis sair correndo dele e quis ir ao seu encontro.
Fui ao seu encontro...
Ao chegar tão perto que já podia beijá-lo, ele se virou.
E se foi, pra sempre.
Ninguém sabe o fim da história. Ir ao encontro pode trazer o sofrimento, mas traz a certeza. A certeza de ter ido e perdido, pra sempre.
Virei e ele me chamou para perto dele com um gesto.
Quis sair correndo dele e quis ir ao seu encontro.
Fui ao seu encontro...
Ele me olhou nos olhos, aproximou seus lábios do meu e,
naquele instante, eu tive certeza que era sua, e ele era meu, pra sempre.
A certeza ter ido e ganhado, pra sempre.
A certeza do pra sempre faz com que cada história comece e termine. E se for com sofrimento, que seja com aprendizado. Se for com felicidade, que seja com amor. A vida é feita de ciclos e, só quando um ciclo termina, outro pode iniciar. Cada “e se” que assombra a mente é uma lacuna, um buraco negro que empaca um ciclo, que não permite que ele comece e, assim, interfere na fluidez da vida.
Entre as duas opções, sempre vá ao seu encontro.
Correr é pro fracos.
O importante é pagar pra ver onde a história vai dar.
* Do livro Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, página 95.
Impressionante. Parabéns!
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